Mestrado Profissional em Bioenergia da FTC é destaque na Revista BIOMAIS

Criado em Quinta, 29 Janeiro 2015 19:41
Última atualização em Segunda, 09 Fevereiro 2015 21:07

O coordenador do Mestrado Profissional em Bioenergia da FTC, professor Thiago Bruce, foi entrevistado pela Revista BIOMAIS abordando a temática. De acordo com o professor Thiago é notável o aumento da importância desse tema no cenário nacional, ocupando uma posição estratégica.

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Qualificar por quê?

Setor de bioenergia está em franco crescimento e é uma ótima oportunidade para novos profissionais, mas exige especialização

O setor de energia há algum tempo vem sendo pressionado a ampliar o fornecimento por fontes renováveis. Esse novo cenário é acompanhado por outra demanda tão importante quanto a própria geração de energia, a mão de obra qualificada. Entre as áreas de destaque nesse contexto está o segmento de bioenergia que engloba além dos biocombustíveis líquidos, biomassa sólida e o biogás. Nos últimos anos foi possível observar a criação de cursos nos diferentes níveis – graduação, mestrado e doutorado – voltados à profissionalização e aprimoramento nesta área.

A grande vantagem é que o Brasil apresenta um potencial único quando se trata de bioenergia. Por isso, é notável o aumento da importância desse tema no cenário nacional, ocupando uma posição estratégica. Entretanto de acordo com o coordenador do Mestrado Profissional em Bioenergia da FTC (Faculdade de Tecnologia e Ciências), de Salvador (BA), um dos principais problemas relacionados ao número de cursos no país se refere às assimetrias econômicas regionais que refletem na distribuição desses cursos no território nacional. “Atualmente, existe uma grande concentração na região sudeste. A descentralização ainda é um desafio em processo de superação. As políticas públicas de acesso ao ensino técnico e superior têm sido fundamentais nesse processo”, pontua.

Por ser um setor altamente interdisciplinar, a carência de profissionais se dá nos mais diferentes segmentos. “O mercado precisa de gente que faça o biodiesel e o bioetanol chegar mais barato nas bombas de abastecimento dos postos. Falta gente para revolucionar a produção de biogás a partir de resíduos urbanos (lixo) e da pecuária (esterco)”, aposta Thiago. “Não temos uma política de estímulo ao uso da energia solar, mesmo sendo o país do mundo que recebe maior incidência de raios solares ao longo do ano. A biomassa marinha ainda nem sequer é mencionada, de maneira ampla, para a geração de biocombustíveis”, salienta.

Na mesma linha o coordenador do doutorado integrado em Bioenergia da USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), Carlos Alberto Labate, reitera que nas áreas de sustentabilidade e transformação a falta de mão de obra é grande. “Não temos pessoal para fazer o etanol de segunda geração porque falta conhecimento técnico. Se compararmos a indústria petroquímica, enquanto a eficiência de transformação do petróleo é de 98%, na alcoolquímica ainda é muita baixa, perdemos muita matéria-prima e precisamos mudar isso”, destaca.

Mestrado

Pensando em suprir esses gargalos e amenizar a deficiência de profissionais algumas instituições desenvolveram programas que caminham nesta direção. Um dos cursos é o Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar e Multi-institucional em Bioenergia que engloba seis universidades: UEL (Universidade Estadual de Londrina), UEM (Universidade Estadual de Maringá), Uepg (Universidade Estadual de Ponta Grossa), Ufpr (Universidade Federal do Paraná), Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste) e Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). O mestrado tem duração de dois anos e é voltado para diferentes formações. “O programa não tem restrição desde que o projeto atenda aos interesses do curso e da área pesquisada. A procura é muito grande por químicos em função do desenvolvimento de biocombustíveis. Essa área tem toda uma necessidade de geração de informação e tem um mercado potencial”, explica o vice-coordenador do núcleo da UEL, Ricardo Ralisch. Como o curso envolve instituições públicas é inteiramente gratuito com a possibilidade de bolsa de estudo.

Na mesma linha, o Mestrado Profissional em Bioenergia da FTC tem duração de dois anos e também tem a característica de ser interdisciplinar, ou seja, aceita profissionais de diferentes áreas. As disciplinas são distribuídas entre os três eixos temáticos do programa: biotecnologia de bioprocessos, modelos de organização da produção de bioenergia e saúde do trabalhador de bioenergia.

“O objetivo é apresentar alternativas viáveis voltadas para a diversificação da matriz energética atual. Por isso, envolve aspectos relacionados à otimização de bioprocessos industriais, prevenção de riscos ambientais, bem como prevenção de riscos de acidentes e do impacto na saúde dos trabalhadores envolvidos com a obtenção da matéria-prima e com os processos de produção”, esclarece Thiago Bruce, coordenador do programa. “Além disso, também está voltado para a apresentação da possibilidade do uso de novas fontes de biomassa residual, com potencial aplicação na cadeia produtiva de biocombustíveis, por meio de estudos de viabilidade econômica e financeira”, complementa.

Doutorado

O doutorado integrado em Bioenergia da USP, Unicamp e Unesp, pode ser cursado por mestres ou, em casos excepcionais, por alunos que saíram da graduação. O programa conta com pesquisadores desde a área de produção de biomassa e sustentabilidade até a criação de motores e parte econômica. “Tudo que abrange a bioenergia está dentro do curso”, valoriza o coordenador Carlos Alberto Labate.  

Um diferencial do programa, como explica o professor é fato dele ser ministrado todo em inglês. “Temos parcerias com universidade da Dinamarca, Holanda e Finlândia, os principais centros que trabalham com bioenergia. Os alunos têm aula com professores do exterior e eles são estimulados a fazer parte do projeto no exterior. O objetivo é promover a internacionalização”, argumenta.

De olho na informação

Por ser um assunto muito dinâmico, a bioenergia exige a preocupação dos profissionais do segmento em estar sempre atualizados. Por isso os professores aconselham que os alunos e interessados busquem não só durante o curso, mas também após a conclusão, formas de se manterem conectados à área.

Para Ricardo Ralisch a internet pode funcionar como aliada e excelente ferramenta para pesquisas, mas ele adverte: “é fundamental saber filtrar o que realmente é interessante. Não pode pegar qualquer informação e vendê-la como solução”. Ele complementa que o networking também é fundamental e a troca de informações entre pesquisadores traz ricas contribuições e ajudam a preencher as deficiências.

Outra forma, e não menos importante, é a participação em congressos e seminários da área. “Esse eventos promovem encontros dos diferentes setores da sociedade para dialogar em torno do tema”, recomenda Thiago Bruce.

“De maneira geral, o mercado brasileiro é carente de profissionais capazes de promover inovação tecnológica. O número de patentes depositadas no país ainda é muito baixo se comparado com outros países. Isso é um sintoma da dificuldade em transformar os resultados das pesquisas científicas em produtos competitivos”, diz Thiago Bruce, coordenador do Mestrado Profissional em Bioenergia da FTC.

Confira as áreas de pesquisa e grade curricular dos cursos:

genfis40.esalq.usp.br/pg_bio/

www.uel.br/pos/bioenergia/

portal.ftc.br/bioenergia/

Fonte: Revista Biomais - http://www.revistabiomais.com.br/

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